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Serviço de impressão 3D SLS: por que o acabamento decide se a peça entra na linha

  • há 12 horas
  • 6 min de leitura

A impressora define a geometria. A superfície define se a peça entra na linha de produção — ou volta para a bancada.


Equipamento de alisamento a vapor AMT PostPro SF50
Estação de alisamento a vapor AMT PostPro SF50, do parque de acabamento da Voxel Manufatura

Quem contrata serviço de impressão 3D SLS normalmente compara três coisas: material, volume de construção e capacidade de produção. A superfície fica fora da conversa até o dia em que a peça chega ao cliente e alguém aponta que ela não veda, não desliza no encaixe ou não pode ficar aparente no produto.


A rugosidade da peça SLS recém-sinterizada é um número conhecido e medido. O que muda esse número também é conhecido e medido. Este artigo trata dos dois, com a fonte ao lado de cada valor, e mostra por que o acabamento é a etapa que decide entre um protótipo aprovado e uma peça de uso final.



O ponto de partida — o que a peça SLS entrega ao sair da máquina


Coletor impresso em pó Ultrasint da Forward-AM
Coletor impresso em pó de poliamida, na condição em que sai da sinterização

A sinterização seletiva a laser funde o pó camada por camada, e cada partícula parcialmente fundida na superfície permanece ali. O resultado é uma peça com textura fosca e porosidade aberta na casca externa — característica do processo, e não defeito de parâmetro.


Essa superfície resolve muita coisa. Ela agarra tinta, aceita tingimento e disfarça marca de camada melhor que qualquer outro processo de leito de pó. O que ela não resolve é vedação, atrito controlado, limpeza validada e contato prolongado com fluido. O caminho do bolo de pó até a peça limpa está detalhado no artigo sobre pós-processamento de peças SLS em PA12, PA11 e TPU, e aqui a conversa começa depois dele: a peça já saiu limpa, e a pergunta passa a ser o que fazer com a superfície.



O dado — a rugosidade em número, antes e depois


Peça em pó plástico depois do alisamento a vapor, com superfície selada
Peça em poliamida depois do alisamento a vapor, com a porosidade da casca fechada

O alisamento a vapor expõe a peça a um solvente vaporizado que reflui a camada mais externa do polímero. A porosidade fecha, os picos da superfície baixam, e a geometria permanece. A AMT mediu o efeito em PA12 e publicou os valores:


Plano de medição

Rugosidade média antes

Depois do alisamento

XY

12,81 µm

4,16 µm

XZ

16,83 µm

7,54 µm


Os números vêm do whitepaper da AMT sobre alisamento a vapor de PA12, medido em peças de poliamida 12 produzidas em leito de pó. O mesmo estudo registra que a tolerância dimensional e a resistência mecânica não foram afetadas pelo processo — o que importa, porque acabamento que come cota não serve para peça funcional.


Um segundo estudo, conduzido pela Formlabs junto da AMT em peças de SLS, mediu material por material e chegou a estes valores de rugosidade final:


Material em pó

Rugosidade depois

Redução medida

Poliamida 12

2,33 µm

75%

Poliamida 11

2,65 µm

73%

Poliamida 11 com fibra de carbono

2,28 µm

80%

Poliamida 12 com fibra de vidro

2,80 µm

72%

TPU 90A

3,26 µm

81%


Fonte: estudo conjunto Formlabs e AMT sobre qualidade de superfície em peças SLS. No mesmo levantamento, a variação de resistência à tração ficou entre −2 e +7 MPa, e o alongamento na ruptura subiu 9% na poliamida 11, 4% na poliamida 11 com fibra de carbono e 12% no TPU 90A.



O dado que quase ninguém pede — absorção de fluido depois do acabamento


A rugosidade é o número que aparece na proposta. A absorção de fluido é o número que decide se a peça sobrevive à aplicação, e ele quase nunca é perguntado.


O mesmo estudo da Formlabs com a AMT submeteu peças alisadas a quatro fluidos por 24 horas e mediu a absorção contra a peça sem acabamento. A redução ficou entre 76% e 98%, nos quatro casos:


  1. Óleo diesel

  2. Gasolina

  3. Óleo mineral

  4. Água salgada


A explicação é geométrica, não química: a porosidade aberta da casca sinterizada é o caminho por onde o fluido entra. Fechada a porosidade, o caminho deixa de existir. O mesmo levantamento registrou queda de 61% na presença de MRSA e de 32% na de E. coli em superfície alisada, o que interessa a quem precisa de peça limpável em ambiente controlado.



A decisão — onde a superfície vira requisito de projeto


Equipamento de jateamento automático para pós-processamento
Jateamento automático, etapa que antecede o alisamento a vapor no fluxo de acabamento

Nem toda peça precisa de acabamento. Vale mapear onde ele deixa de ser estética e passa a ser especificação:


Requisito da peça

Por que a superfície entra na conta

Vedação e estanqueidade

porosidade aberta é caminho de vazamento por dentro da parede, e não pela junta

Encaixe deslizante

pico de rugosidade gera atrito irregular e desgasta o par de contato

Contato com fluido

combustível, óleo e solução salina penetram na casca porosa e alteram massa e dimensão

Peça aparente no produto

superfície fosca e porosa não sustenta pintura uniforme nem toque de produto acabado

Limpeza validada

cavidade aberta retém resíduo e inviabiliza procedimento de limpeza repetível


Quando nenhuma dessas linhas se aplica, a peça sai da sinterização, passa pela limpeza e está pronta. Quando uma delas se aplica, o acabamento deixa de ser opcional — e é aí que a decisão de fazer dentro de casa ou contratar aparece.




O material — PA12, PA11 e poliamida com fibra depois do acabamento


A escolha do pó continua sendo a primeira decisão, e o acabamento não substitui material errado. A comparação completa entre as famílias está no artigo sobre qual pó SLS escolher por aplicação industrial. O que muda com o alisamento, em cada uma:


O que ele já resolve

O que o acabamento acrescenta

Poliamida 12

rigidez e estabilidade dimensional em série curta

fecha a porosidade e leva a rugosidade a 2,33 µm

Poliamida 11

tenacidade e resistência a impacto repetido

ganha 9% de alongamento na ruptura e chega a 2,65 µm

Poliamida 11 com fibra de carbono

rigidez específica alta para peça estrutural

a menor rugosidade da série, 2,28 µm, com 80% de redução

TPU 90A

flexibilidade e retorno elástico

81% de redução na rugosidade e 12% mais alongamento


Vale a observação honesta: os valores acima saem dos estudos citados, medidos nas condições descritas por eles. Peça, orientação de construção e espessura de parede mudam o resultado, e a validação de uma aplicação específica exige corpo de prova impresso no mesmo parâmetro do lote.



A execução — como pedir a peça já na condição final


Impressora 3D SLS de pó plástico Farsoon
Linha SLS Farsoon, parte do parque de sinterização da Voxel Manufatura

A Voxel Manufatura opera sinterização em parque próprio e mantém o acabamento dentro do mesmo fluxo. Isso muda o que o cliente recebe: a peça sai da fila já na condição de uso, sem uma segunda cotação de acabamento com terceiro e sem um segundo transporte no meio do caminho.


Ao enviar o arquivo para orçamento, três informações encurtam a conversa técnica:


  1. A função da peça na montagem: se veda, se desliza, se fica aparente ou se toca fluido

  2. O material pretendido, ou a propriedade que ele precisa entregar quando ainda não houver material definido

  3. A condição de superfície esperada, quando houver rugosidade especificada em desenho


Com essas três linhas, a análise de viabilidade responde se o acabamento é necessário, qual etapa entra e o que a peça vai entregar em superfície. Quem estuda trazer o processo para dentro de casa encontra a comparação de equipamento no artigo sobre como o alisamento a vapor elimina o gargalo do acabamento.






Perguntas frequentes — serviço de impressão 3D SLS e acabamento


O alisamento a vapor altera a cota da peça?


O whitepaper da AMT registra que a tolerância dimensional não foi afetada no ensaio com PA12. Em peça com cota crítica, a prática correta é declarar a tolerância no desenho e validar em corpo de prova antes de liberar o lote.


A peça alisada perde resistência mecânica?


No estudo da Formlabs com a AMT, a resistência à tração variou entre −2 e +7 MPa, e o alongamento na ruptura subiu em três dos materiais testados. Não houve perda relevante de propriedade mecânica.


Toda peça SLS precisa de acabamento?


Não. Peça de verificação de forma, gabarito interno e componente não aparente costumam sair da limpeza direto para o uso. O acabamento entra quando existe requisito de vedação, atrito, contato com fluido, aparência ou limpeza validada.


Dá para alisar peça impressa em outro fornecedor?


A análise depende do material e da condição em que a peça chega. O caminho é enviar a descrição do material e a foto da peça na análise de viabilidade, para o time confirmar a compatibilidade do processo antes de qualquer compromisso.


Qual material chega à menor rugosidade?


Na série medida pela Formlabs com a AMT, a poliamida 11 com fibra de carbono chegou a 2,28 µm, seguida da poliamida 12 com 2,33 µm. A escolha, porém, se faz pela propriedade mecânica que a aplicação exige, e não pela rugosidade isolada.


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